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Bookish by the sea

Bookish by the sea

Fevereiro 03, 2023

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Sou uma crente convicta de que a leitura deve ser, antes e acima de tudo, uma atividade prazerosa. Claro que às vezes temos de ler coisas porque é necessário, seja nos estudos ou no trabalho. Às vezes temos de investigar temas e ler será sempre uma ferramenta para aprender coisas novas.

Mas quando falamos em ler como lazer, para mim o critério principal será sempre o prazer que tiro da experiência. Independentemente de o livro que o proporciona ser um clássico erudito, um excitante novo lançamento de ficção contemporânia ou um romance leve que normalmente apelidamos de "guilty pleasures". 

As minhas últimas leituras encaixam-se firmemente nesta última categoria e demorei um pouco a pensar como as queria abordar aqui no blogue. Falo dos livros da Ali Hazelwood, o romance "Love on the Brain" e da compilação de contos "Loathe to Love You" (composta pelas três histórias cujas capas reproduzo abaixo). 

E não, não foram os melhores livros da minha vida. São pequenas histórias inconsequentes de mulheres independentes em busca do amor, que só se distinguem das demais por focarem profissioanis em diferentes áreas STEM. Louvores à Ali Hazelwood por ao menos querer apontar ao holofoto às mulheres das ciências!

Não foram obras extraordinárias, são altamente previsíveis e, verdade seja dita, até bastante esquecíveis (um mês passado desde que as li de empreitada e as narrativas estão reduzidas a uma vaga e misturada ideia).

Por vezes, foram até mesmo problemáticas e fizeram as células feministas em mim contorcerem-se. A autora tem uma particular fixação em tornar a enorme altura dos interesses românticos como um dos seus principais traços de personalidade e usa o adjetivo "masculino" demasiadas vezes. 

No caso do "Love on the Brain" há ainda que notar que é um decalque muito próximo do livro de estreia da autora, o "The Love Hypothesis" (conhecido por ser uma fanfic de Star Wars). Demos-lhe crédito por ao menos ser uma versão melhorada na qual os elementos mais criticados do primeiro livro foram corrigidos. Como resultado, o Levi é de longe um interesse romântico muito mais fofo e  muito menos problemático que o Adam. 

Mas a verdade é que não faz sentido manter um blogue sobre livros para falar só das leituras que me fazem parecer intelectual. As histórias leves da Ali Hazelwood foram exatamente o que eu precisava na altura do natal e passagem de ano. Foram divertidas, entreteram-me e ajudaram-me a desligar, relaxar e sonhar na agitada reta final do ano.

Por isso sim! Escrevo sobre estas histórias mais "cor de rosa", acrescento-as com orgulho ao meu Goodreads, admito aos meus amigos que é isto que ando a ler (mesmo que para eles seja super supreendente o meu soft spot por este género por "não combinar" exatamente com o "resto da minha personalidade).

Viva as histórias leves! Viva o poder entrar numa história e desligar um pouco! Viva não termos de nos levar sempre a sério e estar sempre a consumir conteúdos sérios!

Até porque convenhamos... O próprio conceito de "guilty pleasure" é altamente problemático e snobe! Quem decide o que é bom e devo ter orgulho de dizer que li? Quem decreta que uma obra deve ser motivo de vergonha? E porque raio é que os guilty pleasures estão tantas vezes associados a conteúdos mais direcionados a uma audiência mais feminina? Suspeito... não???

O patriarcado corre forte nesta discussão e há livros muito interessantes para discutir o porquê de tendermos a descredibilizar os media que o público feminino, sobretudo o adolescente, prefere... mesmo quando estas audiências são as verdadeiras criadoras de tendências que marcam e dominam o nosso panorama cultural. "Fangirls: Scenes from Modern Music Culture" está bem alto na minha lista de livros a ler sobre este tema. Porque afinal, os Beatles não teriam sido os Beatles sem as suas fangirls originais!

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