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Bookish by the sea

Bookish by the sea

Dezembro 26, 2022

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Dois meses depois, acabei finalmente de ler este livro que fez parte da minha bagagem de mão durante duas viagens de avião, oito Airbnbs, um sem número de viagens de comboio e as visitas a dez vilas e cidades do norte de Itália. O bilhete de avião de Fiumicino irá provavelmente viver para sempre no meio das suas páginas e o ambiente melancólico do livro para sempre associado a esta viagem. 

A escolha do livro para levar comigo na viagem não foi inocente...

The Secret History ("A História Secreta", na tradução portuguesa) é considerado uma das maiores referências dentro de "Dark Academia", sendo ainda creditada como a história que inspirou o início desta tendência algures na década de 2010 no Tumblr (saudades desses golden days desta plataforma tão icónica da qual aqui me confesso como uma havida utilizadora nos meus anos formativos da adolescência). Para referência, o livro foi publicado originalmente em 1992, mas continua a fazer comebacks que não o deixam esfumar-se no esquecimento reservado a tantas obras.

Esta estética e subcultura, popular sobretudo no Instagram e agora no Tik Tok, carateriza-se pela glamorização do ensino superior e do conhecimento. É uma ode aos clássicos, à poesia, às artes, ao gótico, ao estilo preppy das universidades da Ivy League. (Sugestão: procurem dark academia no Pinterest para referência... é mesmo uma estética extraordinariamente apelativa)

Resultante do movimento das redes sociais, como acontece frequentemente hoje em dia, resultou pois uma subcategoria de livros bastante prolífera. Em comum têm sempre um crime e esta atmosfera gótica e por vezes obsessiva dentro da academia (muitas vezes criticada pelo próprio género). A Book Leo, uma das minhas BookTubers preferidas, explica muito bem o género e os seus subgéneros neste vídeo.

Sendo eu uma leitora de clássicos e apreciadora da estética, não quis mais ficar de fora desta referência que tantas vezes aparece no conteúdo sobre livros online. E claro, decidi por começar pelo livro original numa viagem a um sítio onde a História e a Cultura que serviu de pilar do Ocidente está embebida até nas pedras da calçada.

A obsessão por uma civilização desaparecida é aliás central a toda a trama. A história acompanha um pequeno grupo de alunos universitários em New England que pertencem a um programa exclusivo, no qual sob a alçada de um único tutor - Julian, uma pessoa horrível mas que todos idolatravam - estudam grego antigo.

Snobes, demasiado certos da sua superioridade intelectual, completamente disfuncionais. Se precisam de gostar das personagens sobre quem estão a ler, este livro não é para vocês. 

Deixem também de lado se ter passagens noutras línguas que não percebem nem são traduzidas for uma irritação de estimação vossa. Ou se detestarem livros que se prolongam incluindo cenas que por vezes parecem só completamente aleatórias e desnecessárias.

Se procuram um "murder mistery clássico", muito rápido e viciante, passem este à frente também. Porque sim, o livro centra-se em torno de um crime, mas logo na primeira página sabemos quem morreu e quem matou. O foco das 600 páginas seguintes é antes a jornada, ver como é que um grupo de pessoas normais, simples colegas de turma, chega ao ponto de assassinar um suposto amigo e como, depois disso, descende à loucura.

Algures quando este livro surgiu no meu radar, li em algum lado que este era o livro era um par ideal para ler a seguir a "Crime e Castigo" de Fiodor Dostoiévski. Posso agora confirmar que é verdade. Ambos são dolorosamente lentos, mas também geniais a explorar o que acontece na mente humana depois de se cometer o impensável. 

Já vos aconteceu lerem um livro que apreciam muito mais a posteriori, mas que a experiência de leitura em si foi desgastante? Essa é exatamente a sensação que tenho com este livro, como tive também com os três livros de Dostoiévski que li.

A experiência é por isso inconclusiva... terei de ler mais alguns títulos Dark Academia para descobrir se este subgénero literário é para mim ou se me fico pelos Pinterest boards desta estética. Na prateleira, à espera para o tira-teimas, tenho já o If we were villains de M.L.Rio.

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História bónus: no voo de regresso, vinha eu na minha vidinha, sentada no meu lugar de janela e com o livro que retomei a ler ainda antes da descolagem, quando reparo que do outro lado da fila, na coxia, o rapaz mais ou menos da minha idade estava a ler exatamente o mesmo livro (embora uma versão mais recente e bem menos destruída que a minha)... Já vos aconteceu uma coincidência destas? Eu que levo o meu livro para todo o lado e leio em todo o tipo de lugares públicos nunca tinha vivido nada assim!!! 

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